Aprender inglês pode ir muito além de decorar palavras e regras gramaticais, especialmente na infância. Quando o ensino do idioma é guiado pelo afeto, pelo respeito ao tempo da criança e por experiências sensoriais, ele se transforma em uma vivência natural, leve e cheia de significado. É a partir dessa proposta, que une vínculo, ludicidade e propósito, que Luiza Novack Ribeiro (@teacher_lunovack), estudante de Pedagogia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e professora de inglês, desenvolve seu trabalho, ressignificando a forma como os pequenos têm contato com uma segunda língua desde os primeiros anos de vida.
O que te motivou a ensinar inglês com a proposta de “afeto e propósito”?
A ideia surgiu logo que ingressei na faculdade de Pedagogia, quando percebi que, para ensinar efetivamente uma criança, é fundamental estabelecer uma relação sensível com ela. A Educação Infantil, de modo geral, é um espaço de afeto, cuidado e, principalmente, de descobertas. Nesse contexto, o inglês entrou como uma possibilidade de integrar essas descobertas, esse afeto, no aprendizado de um idioma, de forma leve e significativa para as crianças.
Minha motivação, enquanto professora de uma segunda língua para crianças bem pequenas, é justamente oportunizar esse ambiente seguro, afetuoso e que possibilita que elas vivenciem o inglês naturalmente, sem medo do erro e sem a pressão de aprender um novo idioma.
Ao conviver diariamente com o inglês por meio de brincadeiras, leituras, jogos e músicas, a criança adquirirá a língua de forma natural. É fundamental viver esse processo, com a proposta de ser um momento espontâneo e lúdico, para a construção do aprendizado com propósito.
O que muda quando o ensino do inglês passa pelo afeto desde os primeiros anos?
A primeira infância corresponde ao período do nascimento até os 5 anos e 11 meses. Nessa fase, a criança está em rápido desenvolvimento, adquirindo sociabilidade, linguagem, autonomia e outras diversas habilidades que vão construindo sua compreensão de mundo. É nesse período que a sua identidade está sendo formada, e é imprescindível que ela possua espaço para que isso se desenvolva de forma plena.
As relações afetivas do cotidiano de uma criança favorecem sua confiança, maneira de interagir e experienciar o inglês. Nisso, entra a afetividade no processo de aprendizagem de uma segunda língua. Quando a criança cresce e se desenvolve em um ambiente seguro, onde existe vínculo e respeito ao seu tempo, a aprendizagem se dá de forma fluida e o inglês deixa de ser conteúdo e vira parte da vida da criança.
Como experiências com texturas, cores e elementos naturais contribuem para o aprendizado das crianças?
O aprendizado de uma criança pequena se dá nas vivências do dia a dia. É brincando na areia, explorando a natureza e seus diversos elementos, provando um novo alimento e conhecendo uma nova textura que a criança vai desbravando o mundo e suas peculiaridades.
Oportunizar esses espaços ricos em materiais e cores é uma forma de deixar a criança livre para criar a sua brincadeira, descobrir possibilidades, experimentar e desenvolver sua imaginação.
Quando interligadas ao ensino de inglês, essas experiências tornam-se ainda mais significativas, pois possibilitam que a criança associe a segunda língua com as suas vivências concretas. A partir do momento em que a linguagem aparece em uma situação real da vida da criança, ela se torna memória.
Por que o aprendizado sensorial aliado a uma nova língua é tão importante para os pequenos?
Adquirir uma nova língua é um processo longo e, quando iniciado ainda nos primeiros anos de vida, necessita de um olhar sensível e de uma abordagem que trabalhe além do idioma, mas o desenvolvimento infantil como um todo. Ao levar propostas sensoriais, que desafiam e potencializam o cognitivo de um bebê, estamos dando espaço para que novas habilidades se desenvolvam.
O aprendizado da língua acontece de maneira natural, na vivência das situações cotidianas. Ao tocar em algo macio e ouvir “soft”, ou ao brincar com água e escutar “water”, a criança cria conexões cognitivas mais fortes, pois associa a linguagem à experiência.









