Não adianta falar de futuro ou de desenvolvimento sem pensar na formação de base. O futuro passa exclusivamente por um projeto educacional radical, que realmente vise formar cidadãos com cognição, senso crítico e capacidade de fazer com que as próximas gerações sejam responsáveis pela virada de chave. E isso é em todos níveis. Mas como fazer isso quando o sistema atual aparenta ter parado no tempo em tantas questões? E torna-se ainda mais preocupante quando se olha para o básico, que é a questão infraestrutural da rede pública.
Em cinco de agosto de 2024 A Hora do Sul noticiava que cerca de 400 crianças da EMEI Bernardo de Souza estavam sem aulas desde abril daquele ano – ou seja, quatro meses – por problemas estruturais no prédio. A escola foi inaugurada em março de 2016, ou seja, completou dez anos recentemente. Na data, porém, mais uma vez fechada: mesmo após a reforma citada há dois anos, mais uma vez a escola foi fechada, afetada pelos ventos de 12 de fevereiro.
Dos cerca de 400 estudantes, 350 já foram realocados para outras instituições e 61 aguardam encaminhamento. Ainda assim, a questão deveria acender todos os alertas possíveis. Como um prédio que recebeu uma escola há apenas dez anos, na região central da cidade, já foi interditado múltiplas vezes por questões estruturais? Por óbvio, ninguém está livre de ter uma estrutura destelhada durante um vendaval, mas a demora para que isso seja resolvidos espanta. Já faz dois meses e as obras devem levar pelo menos três a partir do seu início. Arredondando, é pelo menos meio ano para resolver um problema. Menos de dois anos após uma reforma.
O caso não é exclusivo da Bernardo de Souza. Problemas estruturais também andam por outras instituições, como a eterna espera por melhorias de fato na Félix da Cunha, da rede estadual. São sinais de que a educação, por mais que no discurso seja sempre apontada como prioridade, na prática ainda é relegada a segundo plano constantemente.









