São Lourenço do Sul foi atingido, em agosto do ano passado, por mais um evento climático que pegou toda a população e as autoridades de surpresa, mesmo com o monitoramento que já é realizado em toda a região Sul. Segundo a Defesa Civil do município, uma nuvem concentrou-se na costa do município gerando fortes chuvas, que ocorreram de forma rápida e localizada, com acumulados de 72 milímetros em cerca de duas horas. A zona urbana ficou inundada porque o sistema de drenagem não suportou. Empresas e casas foram alagadas e, as que estão localizadas às margens da praia da Barrinha, ficaram totalmente danificadas.
Situações como essa, infelizmente, não são novidade na cidade. De acordo com um levantamento realizado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em 2024, historicamente, o município destaca-se por registrar diversas ocorrências de eventos climáticos extremos e com decretos de emergência sendo emitidos, praticamente todos os anos, desde 1989. Chamados de “refugiados climáticos” pelo prefeito Zelmute Marten (PT), os moradores e a gestão pública do município precisam ter o monitoramento do clima como fator imprescindível para qualquer tomada de decisão. Isso antes mesmo da tragédia climática de 2024.
Dois anos depois, o coordenador da Defesa Civil de São Lourenço do Sul, Gilmar Majada, vê a cidade como mais preparada para enfrentar as intempéries climáticas, com mais subsídios para a mitigação dos efeitos das cheias e sob o slogan de “cidade resiliente”. Além disso, Majada destaca que a cidade possui uma governança climática de destaque, com o prefeito sendo vice-presidente de Cidades Resilientes da ABM e com o selo “Meu Município pelos ODS”, alinhado à Agenda 2030 da ONU. “Embora a natureza seja imprevista, hoje temos o preparo e as parcerias necessárias para mitigar riscos prezando pela salvaguarda do patrimônio e para salvar vidas”, afirma.
Obras do Funrigs
A cidade teve aprovados dois projetos, dentro do Plano Rio Grande, para o repasse de R$ 2,4 milhões pelo Funrigs para um plano municipal de drenagem e obras de contenção de cheias. Até o momento, segundo a prefeitura, os valores não foram repassados, mas o governo estadual enviou um documento informando que os repasses serão feitos em duas etapas: primeiro de R$ 860 mil para o plano de drenagem urbana e o segundo pagamento de cerca de R$ 1,5 milhão para construção dos taludes na orla.
O Plano Municipal de Drenagem Urbana será elaborado pela UFPel. O estudo técnico-científico servirá de base para a mitigação de alagamentos e inundações, norteando a aplicação dos R$ 37 milhões em investimentos do PAC selecionados para a macrodrenagem de São Lourenço do Sul.
Com relação às obras de contenção, está prevista a construção de taludes na orla da praia e gabiões nos arroios São Lourenço e Carahá, garantindo a proteção das margens e da infraestrutura urbana.
Estruturação da Defesa Civil
Segundo o coordenador do órgão, desde 2024, a Defesa Civil de São Lourenço do Sul passou por uma mudança profunda, saindo de um modelo de resposta isolada para uma atuação em rede técnica e científica. Um dos destaques é o incremento de efetivo da Defesa Civil Regional, que garante um suporte operacional e logístico mais robusto para os municípios da região. “Atualmente, nossas decisões são norteadas por uma ‘tríade de informações’. Cruzamos boletins diários da Regional com o monitoramento técnico do CIEX/Furg e da UFPel. Isso permite alertas com uma precisão técnica muito superior à que tínhamos há dois anos”, diz Majada.
Manutenção e Dragagem
São Lourenço do Sul já possuía uma draga própria, que foi fundamental nas operações de desassoreamento realizadas logo após os eventos de 2024, em parceria com o Governo do Estado. “No momento, estamos em fase de conveniamento com o Estado para a cedência de um operador especializado. O objetivo deste convênio é garantir que a dragagem do Rio São Lourenço seja uma atividade de manutenção constante, e não apenas uma ação emergencial”, afirma o coordenador da defesa civil.
As obras têm qualificado a proteção da cidade ao criar barreiras físicas modernas contra a erosão e o avanço das águas. Além disso, o município terá um investimento de R$ 90 milhões em tratamento de esgoto pela CORSAN/AEGEA, que deve ser feito até 2033.











