A paisagem formada por Lagoa dos Patos, Lagoa Mirim e demais mananciais pode dar reconhecimento internacional à Zona Sul nos próximos anos. Uma parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e o Serviço Geológico do Brasil (SGB) desenvolve um levantamento da “geodiversidade” da região, etapa essencial para a criação do futuro Geoparque Paisagem das Águas.
O projeto envolve oito municípios e uma localidade da metade sul gaúcha e busca identificar as características naturais, geológicas e hídricas do território. A proposta ainda não foi enviada à Unesco, mas os estudos em andamento devem servir de base para uma futura candidatura.
A pesquisadora em geociências do SGB, Ana Cláudia Viero, explica que o trabalho pretende compreender como a paisagem da região se formou ao longo do tempo e quais são suas potencialidades e fragilidades. “O geoparque reúne locais de grande relevância geológica, histórica e ambiental, que precisam ser preservados, mas que também podem ser visitados pela comunidade e explorados de forma sustentável”, afirma.
Além de Pelotas, a proposta engloba Rio Grande, São Lourenço do Sul, Turuçu, Capão do Leão, Arroio do Padre, Morro Redondo, São José do Norte e, mais recentemente, Santa Vitória do Palmar e Chuí. Segundo Ana, a inclusão desses municípios ocorreu pela ligação da dinâmica hídrica do estuário da Lagoa dos Patos e da Lagoa Mirim.
As equipes estão em campo desde o início de maio realizando levantamentos sobre geologia, relevo e recursos hídricos superficiais da região. Participam profissionais de diferentes áreas, como geólogos, geógrafos e engenheiros hidrólogos, vindos de outros lugares do Estado e do Brasil.
Atlas da geodiversidade
O estudo deve seguir até o final de 2027 e terá como principal produto um atlas da geodiversidade da região. Também estão previstos roteiros geoturísticos, que poderão futuramente integrar ações de turismo sustentável.
Características do ambiente
Entre os pontos que mais chama a atenção dos pesquisadores é a dinâmica natural da Lagoa dos Patos. Segundo Ana, a interação entre águas continentais e marinhas cria um ambiente raro e sensível. “É uma região muito frágil: vento, chuva, correntes marinhas e sedimentos interagem o tempo todo. Tudo isso influencia o território e precisa ser entendido para que a ocupação humana aconteça de forma sustentável”, destaca.
Os pesquisadores também observam fenômenos como erosão costeira, movimentação de dunas e depósitos de sedimentos ao longo do litoral sul. Para a equipe, compreender esse comportamento natural e formar o geoparque é essencial para preservação ambiental e para planejamento urbano e econômico.











