Quem acompanha o futebol colonial da Zona Sul conhece nomes que já viraram figurinhas carimbadas nas principais competições. Como não há treinos, os clubes costumam apostar no entrosamento que alguns atletas criam pela frequência com que atuam juntos. Um exemplo está nos elencos campeões das últimas edições da categoria Titulares da Associação Colonial de Pelotas (ACP) e da Associação Colonial de Esportes (ACE).
Negresco, Derick, Felipe Schwanke, Thiago e Tarifa defenderam o Vila Nova, ganhador da ACP em novembro, e o Michaela, que levantou a taça da ACE em fevereiro. Em comum, além da conquista em dose dupla, eles também têm a rotina de atleta em diversos campeonatos não apenas de futebol de 11, mas também futsete e até futsal em toda a região.
Luiz Paulo, o Tarifa, por exemplo, atende pelo apelido no futebol colonial. Atacante de velocidade, defende o Michaela na ACE há mais de uma década. Só pôde atuar pelo Vila porque a equipe do 7º distrito de Pelotas migrou de entidade recentemente, saindo da ACE para ACP. Nos últimos dias, partiu para Bagé para disputar um campeonato de veteranos e também esteve em torneios praianos em Pelotas e Cristal.

Michaela conquistou a Associação Colonial de Esportes em fevereiro (Foto: Divulgação)
A importância da estrutura
O lateral-direito Derick avalia o entrosamento como fator chave, favorecendo a tomada de decisão dos jogadores a partir do conhecimento das características dos companheiros. Ele vincula o sucesso, entre outros elementos, à capacidade técnica e física para competir nos diferentes cenários apresentados durante os campeonatos. Mas vê outro componente essencial: a estrutura.
“Do lado de fora de campo, acredito que sejam as duas equipes [Michaela e Vila Nova] mais organizadas e estruturadas da colônia. Consequentemente isso passa pra dentro de campo, na formação de grandes elencos na quantidade e principalmente na qualidade”, afirma o atleta.
Derick tem uma rotina diária de treinamentos entre atividades aeróbias e de força. Um trabalho que sempre se intensifica perto dos finais de semana. Além de partidas de futebol de 11, o jogador também participa de torneios de futsete, futsal e chão batido, o chamado futsal na terra. “A rotina às vezes é um pouco desgastante, mas é fundamental para manter ritmo de jogo”, afirma.
Alta rotatividade
O zagueiro Felipe Schwanke segue a linha de Derick ao mencionar um fator extracampo: a organização das diretorias do Vila Nova e do Michaela. Como no futebol colonial há uma alta rotatividade entre as rodadas, já que os atletas nem sempre conseguem marcar presença em função de outros compromissos, o entrosamento de uma base é crucial.
“Times que conseguem manter uma boa base que já jogou junto em outros campeonatos, têm uma vantagem competitiva maior sobre times montados às pressas”, opina Schwanke, que concilia a vida de atleta amador à parte profissional. “Aqui na nossa região eu disputo os campeonatos da ACE e ACP e no intervalo deles procuro disputar campeonatos de futsete”.
Sequência
As próximas edições dos campeonatos da ACP e da ACE ainda não têm datas confirmadas. Em 2025, o primeiro ocorreu entre agosto e novembro; o segundo começou em dezembro, terminando em 2026, no mês de fevereiro.











