Mais de 60% dos pacientes internados com Covid-19 desde 2023 morreram


Mesmo passados mais de três anos do período mais crítico da pandemia, a Covid-19 ainda provoca mortes. Em Pelotas, dados do Painel de Hospitalizações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mostram que, desde 2023, o município registrou 179 hospitalizações por Covid-19 e 112 óbitos. Em 2026, foram duas mortes pela doença e três internações.

Considerando as taxas anuais de letalidade hospitalar entre 2023 e 2026, a média de óbitos de pacientes internados chega a 64,06%. Ou seja, são quase duas pessoas a cada três pacientes internados com coronavirus morrendo no período desde 2023.

O cenário é diferente do observado nos primeiros anos de pandemia. Antes havia mais internações, mas atualmente os casos que chegam ao hospital tendem a ser mais graves. Em 2023, Pelotas teve 111 hospitalizações e 64 mortes, com letalidade hospitalar de 57,66%. Em 2024, foram 53 internações e 39 mortes, elevando a letalidade para 73,58%. Já em 2025, Pelotas contabilizou 12 hospitalizações e sete óbitos.

Para o infectologista Hilton Luís Alves Filho, a Covid-19 hoje vive uma fase diferente da observada nos anos mais críticos da pandemia. “Mesmo com a pandemia evoluindo para uma endemia, o perfil dos internados e as condições estruturais ainda favorecem desfechos graves”, afirma.

Foram 112 óbitos após o fim do período crítico da pandemia (Foto: Jô Folha)

O médico aponta que a alta letalidade hospitalar está relacionada ao perfil dos pacientes internados atualmente. Atualmente, 81,9% das mortes hospitalares ocorreram em adultos acima de 65 anos. “Hoje, quem chega ao hospital tende a ser um paciente mais frágil, com doenças crônicas e, muitas vezes, em estado avançado da infecção”, afirma.

Ele também destaca que a demora na busca por atendimento influencia diretamente no risco de morte. “Cada dia adicional entre o início dos sintomas e a admissão hospitalar aumenta o risco de mortalidade em 1%”, ressalta.

Memória das vítimas

O cenário coincide com a criação de uma nova data oficial no calendário brasileiro. Foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Lei 15.406, que institui o dia 12 de março como o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data faz referência à primeira morte registrada pela doença no Brasil.

A norma tem como objetivo preservar a memória das mais de 700 mil vítimas da pandemia no país. No parecer favorável ao projeto no Senado, o senador Humberto Costa (PT-PE) destacou que a pandemia representou “o maior desafio sanitário deste século” e afirmou que a criação da data busca reforçar a importância da ciência, da saúde pública e da solidariedade social.

O pico da crise em Pelotas

Em Pelotas, foram profundios os efeitos da pandemia. Uma pesquisa do Grupo de Dispersão de Poluentes & Engenharia Nuclear (GDISPEN), da Universidade Federal de Pelotas, mostrou que, nos primeiros mil dias da pandemia – entre março de 2020 e dezembro de 2022 – o município teve 105.216 casos confirmados e 1.553 mortes por Covid-19.
O período mais crítico ocorreu em 2021, quando a cidade contabilizou 1.002 mortes em apenas um ano. Naquele momento, hospitais enfrentaram superlotação em leitos de enfermaria e UTI.

Vacinação

O levantamento da UFPel aponta que a vacinação foi decisiva para reduzir o número de casos graves e internações. O médico Hilton reforça ainda a importância da vacinação entre os grupos vulneráveis. “A vacinação completa foi associada à redução de 76,5% no risco de mortalidade”, aponta.

Vacinação em massa foi responsável por controlar o vírus (Foto: Divulgação/Prefeitura de Pelotas)

Segundo a diretora da Vigilância em Saúde de Pelotas, Vera Neto, a cobertura acumulada desde o início da vacinação em Pelotas chega a 109,10% entre idosos. Já entre crianças menores de cinco anos, a cobertura é de 13,12%.

Neste ano, Pelotas aplicou 4.311 doses contra a Covid-19. O público que mais procura a imunização atualmente são idosos acima de 60 anos. No momento, segundo a Vigilância em Saúde, o município está sem doses disponíveis.

O esquema vacinal também mudou em relação aos anos anteriores. “Conforme o atual esquema vacinal do Ministério da Saúde, não há mais doses de reforço. O que há é a vacinação anual para profissionais da saúde, pessoas com comorbidades, imunossuprimidos e demais grupos prioritários, como acontece com a Influenza.”

Dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) apontam que Pelotas já aplicou 937.846 doses de vacinas monovalentes e 88.811 doses da vacina bivalente desde o início da campanha de imunização.



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