Tenho um velho amigo guardado na memória, escondido nas entrelinhas da maioria das minhas histórias.
O vejo com frequência nos pensamentos que ocasionam as minhas poesias.
Às vezes encontro seus vestígios nas letras das músicas que escuto, leio de relance o seu nome nas placas das ruas que ando.
Sempre tentando reencontrar pelo menos um traço, um modo de falar que me devolva a sua presença, sua essência.
Agora em uma cidade vazia e sem a sua companhia, me identifico como uma nova pessoa e
recomeçando mais uma vez a própria história.
A casa está vazia, as cortinas estão fechadas e ninguém está voltando.
O cheiro do café ainda está no ar, mas não há ninguém para desfrutar.
O violão está empoeirado no canto da casa.
Enquanto lá fora a grama cresce sem parar, sem alguém para cuidar.
Há um eco, um silêncio que marca presença de algo que foi vivido intensamente.
Os livros são jogados na fogueira e cada palavra desaparece na chama.
Não resta dedicatória, poesia ou letra para registrar.
Nenhuma mensagem, carta ou notícia.
Dois corpos estranhos escondendo as histórias de um tempo perdido e distante,
pois no fundo os dois sabem que jamais serão felizes como foram antes.
É um caminho sem volta, o final da história.
Um tempo tão bonito, virando apenas mais um traço do passado de dois desconhecidos que dividem memórias.
– Aos antigos amigos que ainda guardo no peito.










