A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) denunciou o Grêmio e a executiva de futebol feminino Bárbara Fonseca por um suposto caso de injúria racial. Depois do Gre-Nal pelo Brasileirão Feminino, no dia 28 de março, um dos diretores da Camisa 12, torcida organizada do Inter, afirmou ter sido vítima de racismo.
De acordo com o torcedor, a diretora executiva de futebol da equipe adversária teria dito a ele: “sai, filho da p…, macaco, filho da p…”. O Tricolor e a dirigente afirmam que as acusações são “inverídicas”.
Casos de injúria racial se enquadram no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata da prática de ato discriminatório. Caso condenado, o Grêmio pode ser punido com multa de até R$ 100 mil e perda de pontos.
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Procurado pela reportagem, o Grêmio afirma que sua equipe jurídica vem tratando o caso desde a partida. Sobre a denúncia, o clube mantém sua manifestação inicial.
Veja o posicionamento do clube:
“Após o clássico Gre-Nal deste sábado, 28, pelo Campeonato Brasileiro Feminino, um episódio envolveu um torcedor rival, que acusa de forma inverídica uma colaboradora do Clube de ter proferido injúrias raciais no momento em que os representantes gremistas eram ofendidos por membros da torcida adversária. A instituição reitera que não houve por parte da funcionária qualquer manifestação nesse sentido e que a situação foi prontamente resolvida junto às autoridades.
A colaboradora compareceu voluntariamente à delegacia, onde esclareceu os fatos amparada por testemunhas que atestam não ter ocorrido qualquer ofensa de cunho racial.
O Grêmio, enquanto Clube de Todos e comprometido com seu papel social, reconhece a importância do combate ao racismo e reafirma sua posição contrária a qualquer tipo de discriminação.”
Veja o posicionamento de Bárbara Fonseca:
“Venho a público manifestar minha tristeza e indignação com o episódio ocorrido ontem, posteriormente à vitória do Grêmio no clássico Gre-Nal pelo Campeonato Brasileiro Feminino.
Em meio à celebração pelo triunfo e à hostilidade por parte de torcedores adversários fui acusada por um deles, de forma inverídica e leviana, de ter proferido uma injúria racial. O racismo é um crime abominável e não condiz com os valores que defendo, como mulher de origens negras e atuante na luta contra o preconceito, seja no esporte ou em qualquer âmbito.
Prontamente os fatos foram esclarecidos com as autoridades, baseados em relatos de testemunhas que estavam presentes no local e atestam que o alegado pelo torcedor adversário não ocorreu. Lamento que isso tenha se dado em meio à alegria de uma vitória dentro de campo e reforço a importância da luta contra o racismo e qualquer tipo de discriminação, em todas as instâncias.”









