O 70º sarau da Sociedade de Cultura Artística de Pelotas ofereceu ao público no dia 17 de maio de 1946 o recital de piano de Henry Jolles. Essa foi a segunda visita do pianista e compositor alemão, radicado no Brasil, a Pelotas. A primeira passagem ocorreu no inverno de 1945. No programa estavam composições como Toccata em ré menor, de Bach, Rondó em lá menor, de Mozart, e Grande sonata em ré maior, de Schubert, além de peças de autores como Debussy Schumann e Liszt, entre outros. A apresentação aconteceu no salão nobre, hoje conhecido por Milton de Lemos, do Conservatório de Música, atualmente uma unidade da Universidade Federal de Pelotas.
A homenagem ao pianista Milton de Lemos se deve ao trabalho vigoroso do músico e professor em tornar o Conservatório de Música, na época uma entidade privada, referência em música erudita no Rio Grande do Sul. Para isso ele, juntamente com a diretoria da Sociedade, empenhou-se em trazer nomes importantes da música a Pelotas.

Em 45, o alemão registrou a grata surpresa que teve em Pelotas (Foto: Reprodução)
A Sociedade de Cultura Artística de Pelotas, por exemplo, foi criada por Lemos, então diretor do Conservatório de Música, em 1940. A entidade seguia os objetivos de outras instituições de mesmo nome, existentes em São Paulo e Rio de Janeiro, que buscavam promover ao menos dez concertos anuais nas respectivas cidades em que estava instalada, com artistas reconhecidos no país e fora dele.
Em 1974 a Sociedade de Cultura Artística encerrou as atividades. A instituição funcionou com o sistema de sócios e concertos por assinatura, chamados de Saraus artísticos. “A situação econômica relativamente estável do país nos anos 1940, os convênios realizados com empresas de espetáculo e os contatos pessoais de Milton de Lemos tornaram possível que a Sociedade de Cultura Artística de Pelotas realizasse inúmeros concertos, conferências e eventos artísticos”, descreve a professora e pesquisadora Isabel Nogueira, organizadora do livro História iconográfica do Conservatório de Música da UFPel (2005).
Radicado no Brasil
Nascido Heinz-Frederic Jolles, o pianista, de origem judaica, era natural de Berlim. A carreira de intérprete de sucesso teve início na década de 1920, culminando com sua nomeação como professor na Academia de Música de Colônia em 1928, onde regeu a classe virtuosidade.
A ascensão dos nazistas interrompeu abruptamente a carreira do artista. Em 1933, o regime ordenou a demissão de Jolles de seu cargo na Academia. Em 1934, Jolles mudou-se para Paris. Entretanto, com a queda da França em 1940, Jolles voltou a correr perigo.
Em 1942, conseguiu uma autorização de entrada no Brasil e fugir da França. Em solo brasileiro, estabeleceu-se em São Paulo e mudou seu nome de “Heinz” para “Henry”, porém amargou a perda da mãe e da irmã, assassinadas no campo de concentração de Auschwitz. Jolles permaneceu no país, junto com a esposa, até a sua morte, em 1965.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense; wikipedia; História iconográfica do Conservatório de Música da UFPel, por Isabel Nogueira
Há 25 anos
Primeira fase do restauro de patrimônio estadual é finalizado em maio

Casa do escritor regionalista hoje é sede do Instituto do qual é patrono (Foto: Reprodução)
Maio de 2001 marcou o anúncio da fase final da primeira etapa das obras de restauração da casa onde viveu o escritor regionalista João Simões Lopes Neto, na rua Dom Pedro II, 810, prevista para o final daquele mês. Após a retirada de entulhos, foi possível ter acesso seguro à residência, o que permitiu o passo seguinte: a troca do telhado. A obra foi realizada com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio da Josapar.
Com a conclusão desta fase da obra na casa, que seria a futura sede do Instituto João Simões Lopes Neto, deixaria o prédio apto para receber as reformas e restaurações definitivas. O projeto arquitetônico era das arquitetas Simone Delanoy e Carmen Vera Roig, com a responsabilidade técnica do engenheiro Theo Bonow.
De acordo com o projeto das arquitetas, o imóvel histórico teria espaço para secretaria, centro de estudos, espaço para documentação e acervo sobre o escritor e sua obra, auditório, copa, sanitários e área para o Núcleo de Estudos Simoneanos. Lopes Neto, nascido em Pelotas em 1865, viveu no imóvel entre 1897 e 1907. Período em que o regionalista escreveu obras para o teatro e a lenda O Negrinho do Pastoreio, publicada pela primeira vez em 1906.
Inaugurado em 2006
A recuperação da casa foi concluída em 2006 e a inauguração do Instituto aconteceu em 9 de março, data do aniversário do escritor. Antes, em 4 de outubro de 1999, o Estado sancionou o projeto de lei número 138/99, que declarou o imóvel integrante do patrimônio cultural do Rio Grande do Sul.
Fontes: Acervo Bibliotheca Pública Pelotense












