O protagonismo de Pelotas como berço de diversos movimentos de resistência e luta por direitos da população negra, contribuiu para que a cidade fosse escolhida como a sede da terceira Casa da Igualdade Racial do Brasil, sendo a primeira do Rio Grande do Sul. O espaço é destinado para atendimentos da população negra nas mais diversas esferas, com acolhimento de uma equipe multidisciplinar. Os serviços estarão disponíveis, na rua Tiradentes, 2.963, a partir de segunda-feira, 4.
A inauguração contou com a presença da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros. Ela destaca que a Casa reforça o compromisso do governo federal com a justiça, a proteção de vítimas e o fortalecimento da identidade negra em todas as regiões do Brasil. Sobre a escolha por Pelotas, a ministra destacou a relevância histórica do município e a parceria com o poder público. “Temos apostado sempre em valorizar todos os municípios que aderem o nosso sistema nacional de promoção da igualdade racial, do qual Pelotas faz parte. Estamos muito felizes, com isso a gente escancara que, agora, a igualdade racial tem uma casa com atendimento qualificado para promover direitos”, diz Rachel.
De acordo com o Censo 2022 do IBGE, cerca de 23% da população de Pelotas é preta ou parda, o que significa mais 77 mil moradores que, agora, terão um espaço direcionado de atendimento, com auxílio jurídico, psicossocial, psicológico, além de ações produtivas, culturais e formativas, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Pelotas foi a primeira cidade do Rio Grande do Sul a contar com uma Secretaria da Igualdade Racial. O responsável pela pasta, Júlio Domingues, comemora a inauguração e afirma ser uma vitória muito significativa para uma cidade que tem uma grande presença negra e de religiões de matrizes africanas. “Pelotas é uma cidade negra. A Pelotas real é a Pelotas negra, construída por mãos negras. Então esse momento é um símbolo. Muitas pessoas que vieram antes, lutaram por mais espaço para a população negra, mais representatividade, mais políticas públicas. Aqui a gente vai potencializar as políticas de igualdade racial e também de combate ao racismo”, afirma o secretário.
A Casa da Igualdade Racial será de referência para os moradores de toda a região Sul. “É um espaço que precisa ser construído com todas as pessoas, é uma casa regional, para que todos se sintam acolhidos e possam encontrar neste espaço um espaço de promoção da igualdade racial. Temos a garantia que esse equipamento vai mudar a realidade das pessoas”, reforça a ministra.
Museu Nacional do Batuque
Antes de participar da solenidade em Pelotas, a ministra da Igualdade Racial esteve em Rio Grande, onde cumpriu agenda com lideranças do movimento do batuque. Rachel destacou que foi muito bem recebida e que teve a oportunidade de dialogar sobre os itens que estão em processo de repatriação, para que seja fundado na região o primeiro Museu Nacional do Batuque. “Foi muito importante reconhecer essa história e podemos falar mais uma vez sobre a importância que as religiões de matriz africana têm para a valorização da nossa história, com uma atuação fortíssima no combate ao racismo, pois são espaços que valorizam as pessoas, cuidam, acolhem e que precisam ser reconhecidos também”, afirma.
Expansão
Questionada sobre a ampliação das Casas de Igualdade Racial pelo Brasil, a ministra Rachel garantiu que a ideia é garantir que este equipamento público chegue até mais cidades. “Estamos em pleno desenvolvimento, mas a ideia é expandir como uma política nacional”, afirma.
Além de Pelotas, outras duas casas estão localizadas no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Uma será inaugurada em Salvador e outras duas em Minas Gerais. “O sistema nacional de promoção da igualdade racial é o SUS da igualdade racial, então a gente fortalece e ajuda com que essas políticas cheguem a quem mais precisa”, concluiu Rachel.














