Pelotas pode substituir as charretes por veículos elétricos como alternativa à tração animal. A proposta ganha força após a destinação de uma emenda parlamentar de R$ 700 mil, do deputado federal Daniel Trzeciak (PSDB), anunciada nesta semana. Agora, a iniciativa está em fase de estudo pela prefeitura.
Segundo a prefeitura, ainda não há definição sobre como o recurso será aplicado. A administração avalia diferentes possibilidades, como a compra direta dos veículos, financiamento ou até a cessão aos trabalhadores. A escolha do modelo deve ocorrer nos próximos meses, enquanto a emenda não é liberada.
Atualmente, a Secretaria de Transporte e Trânsito (STT) contabiliza 291 carroças ou charretes cadastradas, número que pode chegar a 350. A estimativa da prefeitura é de que cerca de 300 famílias dependam diretamente da atividade em Pelotas. No entanto, ainda não há definição sobre quantas serão contempladas nesta primeira etapa.
Segundo o município, isso dependerá do custo dos veículos elétricos e da possibilidade de somar novos recursos ao valor já anunciado. “Nem para o estimativo, no momento, nós podemos dar uma resposta”, informou a prefeitura.
Cautela entre os charreteiros
Entre os trabalhadores, a proposta é vista com cautela. Um charreteiro ouvido pela reportagem afirma que a principal preocupação é com a renda e a adaptação ao novo modelo de trabalho. “A gente vive disso. Tem que ver se esse veículo vai dar o mesmo retorno”, relata o homem de 42 anos.
Analfabeto e sem carteira de motorista, o trabalhador tem dúvidas sobre como deve acontecer o processo, mas reconhece as dificuldades do modelo atual. O custo para manter o animal e as condições de trabalho estão entre os desafios enfrentados no dia a dia.
Perfil social e desafios
A prefeitura também afirma que já possui um mapeamento dessas famílias e destaca que muitas vivem em situação de vulnerabilidade social. Além da substituição dos veículos, o desafio envolve também questões como qualificação profissional e acesso a outras oportunidades de trabalho.
Para evitar perda de renda, uma das ideias em estudo é a criação de um modelo cooperativo entre os trabalhadores. A proposta ainda é inicial, mas prevê organizar a atividade de forma coletiva e integrada a demandas da cidade, o que poderia garantir maior estabilidade financeira.
Movimentos recentes
A iniciativa se soma a outras medidas recentes ligadas à causa animal no município, como a restrição ao transporte de materiais de construção por carroças, também proposta pela vereadora Marisa Schwarzer (PSB).








