A Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, um dos principais patrimônios históricos e religiosos de Pelotas, foi alvo de criminosos. O furto de fios elétricos em duas ocasiões comprometeu a iluminação interna do templo, deixou metade da igreja às escuras e trouxe novos prejuízos para a obra de restauro que está em fase final.
Ao todo, cerca de 2500 metros de fios elétricos foram roubados. Não se sabe a data exata do furto, mas desde o dia 6 de abril, após a Páscoa, metade da igreja está sem energia. A suspeita é de que os criminosos tenham entrado utilizando a estrutura de andaimes montada para a obra no telhado.
Obras estavam na reta final
Segundo pároco da Catedral, Padre Wilson Fernandes, a revitalização já estava se encaminhando para o final. Conquistada por meio do Pró-Cultura RS – Lei de Incentivo à Cultura (LIC), a obra total recebeu o investimento de R$ 1.991.213,11. A reforma da rede elétrica faz parte do processo.
“Concluímos no ano passado o piso, a catalogação dos bens móveis e, dentro da etapa final, está sendo feita a conclusão do telhado. Também está em andamento o projeto de adequação aqui do fundo. Tudo isso faz parte do grande conjunto dessa última fase”, explica.
Dois furtos em menos de 15 dias
O problema começou com o furto de 600 metros de fios da nova instalação elétrica, ainda em março. Após a reposição do material, os criminosos retornaram, totalizando um prejuízo que pode chegar entre 2 mil e 2,5 mil metros de fiação. “Entraram a segunda vez e levaram não só o que já havia sido reposto, mas também os fios velhos. Agora uma parte da Catedral está às escuras”, protesta.
Locatelli às escuras
Quem entra na catedral e olha à direita, mesmo durante o dia, percebe a diferença de iluminação. À noite, o resultado é o escurecimento total de parte da história do local. Os afrescos do italiano Aldo Locatelli, pintados no teto direito do prédio entre 1943 e 1950, estão inacessíveis durante as cerimônias. Convidado pelo bispo Dom Antônio Zattera, o artista decorou o interior do templo durante a última grande reforma da Catedral representando a apoteose de São Francisco de Paula.
“Toda a parte de quem entra à direita da Catedral está às escuras. Metade da Catedral está no escuro. À noite não se enxerga o teto, as pinturas. A gente tenta deixar o patrimônio para que todos possam apreciar, rezar e contemplar, mas agora está comprometido”, completa.
Prejuízo vai além dos fios
Por se tratar de um prédio histórico tombado, a reposição não é simples. Será necessário refazer projetos, recalcular custos e recuperar estruturas danificadas. Segundo ele, tubulações antigas que poderiam ser aproveitadas também foram destruídas. “Não é só repor fios. Agora tem que refazer projeto, recalcular tudo de novo. Como é um patrimônio sensível, não pode se fazer de qualquer jeito”, conta.
Padre conta com a solidariedade
Os recursos da LIC para o restauro estão esgotados e o futuro da obra comprometido. Para evitar novos ataques, trabalhadores precisam desmontar os andaimes diariamente, o que está atrasando o andamento o aumentando os custos.
A alternativa, segundo o padre, é apelar para a solidariedade da comunidade pelotense. A paróquia deverá lançar campanhas para arrecadar recursos. “A Catedral não é um patrimônio só da Igreja. É um patrimônio da cidade de Pelotas, do Estado e do Brasil. Nosso lema é: a Catedral é patrimônio de todos. Se é patrimônio de todos, o cuidado também deve ser de todos”, apela.














