No dia 2 de maio de 2024, as áreas mais baixas de Rio Grande e São José do Norte começaram a sentir os efeitos da descida das águas vindas dos Guaíba e de toda a região Metropolitana. Na rota de escoamento das águas na região, em direção ao Oceano Atlântico, as regiões ribeirinhas destas duas cidades foram severamente afetadas pela subida do nível da Lagoa dos Patos.
Famílias das áreas atingidas ficaram fora de suas residências por mais de um mês e, mesmo com o anúncio do Auxílio Reconstrução pelo governo federal, problemas durante o cadastramento à época fizeram com que os valores tenham sido pagos a um número pequeno de pessoas, perto da demanda. Esses fatores, juntamente com a possibilidade de intensificação do El Niño no segundo semestre deste ano, preocupam moradores quanto à como as duas cidades vêm se preparando para mitigar efeitos de eventos climáticos extremos.
Rio Grande
O plano Rio Grande, do governo estadual, contemplou a cidade com o repasse de R$ 1,2 milhão, via Funrigs, para a limpeza e desobstrução das redes de drenagem, com o objetivo de melhorar o escoamento dos acumulados de chuva e para, em caso de novas cheias, que os sistemas não colapsem.
De acordo com o secretário de Infraestrutura, Luiz Francisco Spotorno, está sendo realizada a limpeza das estruturas de microdrenagem, que compreendem as tubulações pequenas, canais abertos e outros canais de recepção da água da chuva.
Além disso, há 14 bombas distribuídas em quatro casas de bomba no município. Todas elas estão operando satisfatoriamente e com manutenção preventiva, segundo análise do executivo municipal. “Mesmo com todos os acidentes que ocorreram em razão da operação contínua durante a enchente, nós restabelecemos as condições de uso. Nós fizemos um grande restauro”, destaca Spotorno.
O secretário afirma que o Funrigs contribuiu para financiar a desobstrução, que ainda está em execução. Até o momento, foram limpos 35.256 metros de tubulação e efetuada a limpeza em mais de 600 bocas de lobo. Com a estrutura da secretaria foram realizadas outras limpezas de canais e valas do município, que facilitarão o escoamento da água.
Obras estruturantes
No dia 22 de maio, a força das águas fez com que uma parte da ponte Wilson Mattos Branco cedesse. A estrutura permite o acesso terrestre à localidade da Ilha dos Marinheiros e, com a avaria, os cerca de 1,2 mil moradores chegaram a ficar isolados, até a operação de uma balsa temporária. A travessia pela estrutura foi restabelecida no final do ano passado, mas ainda falta uma etapa para a sua reconstrução. A obra está à cargo do Gabinete de Programas e Projetos Especiais (GPPE) de Rio Grande que, até o fechamento desta reportagem, não respondeu aos questionamentos sobre o andamento da obra.
Da mesma forma, outra importante obra para garantir maior tranquilidade à população é a construção da Casa de Bombas da Major Carlos Pinto, uma das áreas mais baixas da cidade, com cerca de 1,52 metros de cota de inundação. O GPPE também não retornou sobre o andamento desta obra.
Ciência aliada
Um dos grandes avanços de Rio Grande no combate às cheias vem da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). Com a criação do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex), o monitoramento em tempo real da Lagoa dos Patos foi ampliado, além das demais condições climáticas.
Formado por profissionais de diversas áreas, o Ciex integra suas informações com entidades e prefeituras da região Sul, de forma a qualificar a tomada de decisão na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
A iniciativa conta, ainda, com o suporte de sete programas de pós-graduação, os quais garantem ao Centro um apoio com pesquisa de ponta, subsidiando o grupo com ainda mais segurança no monitoramento e na aplicação de modelos.
São José do Norte
Ligada com Rio Grande pela travessia aquaviária por lanchas e balsas, São José do Norte sofreu impactos importantes, principalmente na infraestrutura do entorno da sua hidroviária e no centro. Não houve aprovação ou repasse de recursos diretos para a prefeitura por meio do Funrigs.
No entanto, a cidade foi uma das 73 contempladas pelo governo gaúcho com novos equipamentos para o fortalecimento da Defesa Civil. Como parte do projeto, cada município selecionado receberá um conjunto operacional composto por uma pick-up leve, um gerador de energia e quatro rádios transceptores multibanda, com capacidade de interoperabilidade. Os equipamentos têm como objetivo qualificar a atuação das equipes locais, garantindo maior agilidade e eficiência em situações de emergência.












