A reconstituição da abordagem que terminou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, em janeiro deste ano, será realizada nos dias 12 e 13 de maio. O procedimento integra a investigação da Polícia Civil e deve ser decisivo para a conclusão do inquérito.
Segundo o delegado Thiago Carrijo, diretor do Departamento de Homicídios do Interior, a expectativa é de que a investigação seja finalizada ainda em maio. “Saindo o laudo do IGP sobre a reconstituição, mais uns cinco, sete dias a gente fecha esse inquérito. É muito provável, tudo indica, 99% de certeza, que a gente vai fechar ainda agora em maio”, afirmou.
A reprodução simulada será conduzida pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) e deve reunir os envolvidos na ocorrência registrada na madrugada de 15 de janeiro. Segundo o diretor-geral do órgão, Paulo Barragan, o objetivo é confrontar versões com as evidências já reunidas.
Barragan aponta que ainda não há prazo definido para a conclusão do laudo pericial após a reconstituição. “Impossível prever [o prazo]. Depende da complexidade da perícia”, disse.
Investigações paralelas
A morte de Nörnberg ocorreu durante uma operação da Brigada Militar, que entrou na propriedade após suspeita de que o local seria base de uma quadrilha de roubo de veículos. O agricultor foi atingido por disparos durante a ação.
O Inquérito Policial Militar (IPM), concluído pela Corregedoria da Brigada Militar, apontou que não houve crime por parte dos policiais, embora tenha identificado falhas de planejamento e de inteligência na operação.
Já a investigação da Polícia Civil ocorre de forma paralela e busca esclarecer a dinâmica dos disparos e as circunstâncias da abordagem. A reconstituição é considerada uma das etapas centrais desse processo.
Inicialmente, a própria Brigada Militar chegou a cogitar a realização da simulação, mas concluiu o inquérito interno antes disso.
Outros desdobramentos do caso
O caso também teve mudança recente na condução das investigações. A delegada Walquíria Meder, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Pelotas, solicitou afastamento, e o trabalho passou a contar com a atuação do delegado Gabriel Borges, sob coordenação de Carrijo.
A conclusão do IPM gerou reação da família do agricultor, que chegou a afirmar que pretende pedir a federalização do caso.
Em entrevista recente, o governador Eduardo Leite (PSD) afirmou que as instituições estaduais têm autonomia para conduzir as investigações e disse confiar no trabalho da Polícia Civil, da Brigada Militar, do Ministério Público e da Justiça.
Contato com a família
A reportagem tentou contato com a viúva de Marcos Nörnberg e com o advogado da família, mas não obteve retorno.














