O histórico veto do Senado ao nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, algo que não acontecia desde o século 19, tem gerado diversas interpretações. É ingenuidade procurar qualquer entrelinha que não a política, pura e simples. Foi uma comprovação do que se viu durante os últimos anos, de que o governo Lula tem pouca ou quase nenhuma capacidade de articulação. Ainda assim, dentro do teatro político tradicionalmente feito, foram usados argumentos que são plenamente justificáveis e realmente deveriam nortear uma nova visão do Brasil para as próximas indicações.
Hoje, o brasileiro consegue mais facilmente escalar o time do Supremo do que a Seleção de futebol, mesmo em ano de Copa. Do 1 ao 11 (dez, neste momento), sabe-se até o mais defensivo, o mais ofensivo, quem joga pela ala esquerda e quem tende a cair pela beirada da direita, quem cai em catimba e quem lidera a equipe. Isso não deveria ser assim. Mais do que a falta de articulação política para a indicação de Messias, ele deveria ter sido vetado pelo mais básico dos motivos: o excesso de conexão política com o governo atual. Assim como grande parte dos nomes indicados nos últimos anos.
A politização do STF não se dá por acaso, ela é o resultado de uma receita que vem sendo construída há mais de uma década. Causa e consequência. Quando indicam-se nomes políticos a cargos que deveriam ser extremamente técnicos, o órgão fica naturalmente politizado. É cristalino, inclusive: os poucos nomes ainda presentes na Corte que foram indicados pelo bom e velho “notório saber jurídico” são justamente os mais discretos.
O Supremo é um dos esteios do tripé que sustenta nossa República e, quando ele pende mais para um lado, desequilibra. Em uma análise idealista, seria justamente esse o momento de parar, recuar e voltar a nortear as indicações por critérios jurídicos. Sabe-se, é óbvio, que a partir de agora se dobrará a aposta, com Lula ainda tentando garantir um nome antes das eleições e a oposição fazendo força para tentar ganhar nas urnas e levar, de brinde, essa indicação. A parte fundamental, que é compor a corte com nomes capacitados? Isso é mera formalidade, fica em segundo plano.














