O pelotense costuma opinar sobre o Laranjal, a praia da cidade. Vê nos balneários cenários positivos e negativos dentro de um espaço que poucas cidades do Brasil têm. E, assim como sonha, não entende como o poder público ignora o potencial e os recursos possíveis que Santo Antônio, Valverde e Prazeres oferecem para transformar a região à beira da Lagoa dos Patos no grande cartão de visita turístico e econômico.
Em entrevista à Rádio Pelotense, Fernanda Rebelo, presidente da Associação de Moradores do Laranjal, deixou clara essa incoerência. Como moradora e líder da entidade representativa da praia, Fernanda tem na ponta do lápis as demandas descritas por quem também vê brechas a serem preenchidas. Iluminação pública, fornecimento de água, segurança, limpeza urbana, manutenção de ruas, transporte coletivo e outros serviços básicos estão distantes do ideal, assim como os investimentos privados, ainda ausentes. Há espaço para farmácias, postos de combustíveis, padarias, pousadas e outros empreendimentos — e uma população estimada em 45 mil pessoas, necessitada de ofertas de consumo.
Particularmente, como disse no programa Debate Regional, sempre imagino o Laranjal como o palco de Pelotas nos principais momentos do calendário anual. Vejo o cenário perfeito para as festas de Carnaval, Páscoa, Natal e Réveillon, por exemplo. Principalmente no dia 25 de dezembro: ornamentar e iluminar a beira da lagoa seria algo contagiante. O Natal brasileiro ocorre no verão, e nada melhor do que aproveitar as noites agradáveis na areia, junto à família, para acompanhar shows, apresentações musicais e outros atrativos.
De dezembro a março, o Laranjal precisa pulsar todos os dias da semana. Nossas águas, rasas e seguras, nunca ofereceram brinquedos infláveis, passeios embarcados — tudo o que a gente encontra fora daqui e sempre se pergunta: por quê, em Pelotas, não é assim?
E, nos demais meses do ano, o que fazer? Bom, é preciso sentar, planejar e iniciar algo que se torne atrativo a públicos variados — e, nesse quesito, temos profissionais capacitados para elencar as escolhas. O Rio Grande do Sul possui um calendário de campeonatos de esportes aquáticos que hoje não passa por Pelotas, assim como encontros de grupos e inúmeras possibilidades suficientes para construir a ideia de agenda.
Fechar uma das pistas da avenida Antônio Augusto de Assumpção Júnior — a via do calçadão — aos finais de semana e privilegiar o público no lugar dos veículos é algo para “ontem”. A prática vem sendo executada com sucesso por outras cidades há anos, nesses espaços estratégicos de lazer. Qual o custo da iniciativa? Alguns cavaletes e divulgação antecipada. Quem dirige até o Laranjal não se importa em estacionar o carro uma ou duas quadras para dentro.
Volto a Fernanda Rebelo, presidente da Associação de Moradores. Ela cobra, com legitimidade, as obras de contenção às cheias. O episódio de maio de 2024 deixou marcas profundas. Há verba disponível para retirar os projetos do papel, mas a lentidão dos gabinetes domina o que deveria ser urgente. A representante das famílias da praia também sonha, sem tirar os pés do chão. O dia a dia exige ações do poder público na limpeza, na manutenção e nos serviços essenciais. O atendimento, porém, está distante do ideal, reclama. Retomar as ligações das redes de esgoto e despoluir a lagoa é tão essencial quanto projetos maiores. É uma iniciativa para a cidade.
O Laranjal desperta sonhos. Como escrevi, qualquer lugar gostaria de ter o que só Pelotas tem — e trata com destrato.














