A situação financeira do Inter inspira cuidados, embora apresente sinais de melhora em relação a um passado recente. Dados referentes a 2025, encaminhados pela gestão para análise do Conselho Fiscal, indicam uma redução do endividamento, além de um desempenho positivo nas receitas. No período entre janeiro e dezembro do ano passado, o clube registrou superávit de R$ 8,9 milhões.
Apesar do avanço, o volume da dívida segue elevado e, nos moldes atuais, é considerado de difícil administração sem mudanças estruturais. O passivo nominal caiu de R$ 977 milhões ao final de 2024 para R$ 940 milhões em dezembro de 2025. Ao observar apenas os chamados “principais grupos” da dívida, também houve retração, passando de R$ 860 milhões para R$ 809 milhões.
No campo das receitas, o Inter atingiu bons números. O total arrecadado chegou a R$ 776 milhões, com destaque para os R$ 286 milhões oriundos da venda de jogadores. As receitas de televisão e premiações também cresceram de forma significativa, saltando de R$ 128 milhões em 2024 para R$ 194 milhões em 2025, mesmo com a campanha muito ruim no Brasileirão, o que evidencia o acerto na adesão à Futebol Forte União. Outro ponto relevante foi o desempenho das receitas comerciais, que incluem patrocínios, alcançando R$ 245 milhões — também um recorde para o clube.
As despesas somaram R$ 767 milhões ao longo do ano, o que resultou no saldo positivo de R$ 8,9 milhões. Dentro desse montante, os custos relacionados ao futebol apresentaram elevação, passando de R$ 404 milhões para R$ 437 milhões. Esse grupo engloba negociações de atletas, pagamento de salários, direitos de imagem e logística.
O atraso no envio dos números ao Conselho Fiscal está ligado a uma questão contábil ainda sem definição. O Inter, junto a outros clubes integrantes da FFU, solicitou um parecer ao Conselho Federal de Contabilidade para esclarecer a forma de registrar a recompra de 10% dos direitos de TV, realizada em fevereiro de 2025. Como não houve retorno, o clube seguiu a orientação da empresa responsável pela auditoria das contas, optando por lançar 1/50 do valor da recompra em 2025. A medida suavizou o impacto nas contas e evitou a apresentação de déficit no exercício.
A origem desse processo remonta a 2023, quando o Inter negociou 20% dos direitos de transmissão por um período de 50 anos com investidores ligados à FFU, em um acordo de R$ 218 milhões, dos quais recebeu metade. Em fevereiro de 2025, o clube decidiu recomprar 10%, abrindo mão da outra metade do montante. A mesma estratégia foi adotada por outros integrantes do bloco.
Nos próximos passos, o Conselho Fiscal emitirá parecer recomendando a aprovação com ou sem ressalvas ou a reprovação das contas. Uma reunião do Conselho Deliberativo está marcada para a próxima segunda-feira, mas a tendência é de adiamento devido ao tempo reduzido para análise dos dados. Ainda assim, o Inter pretende divulgar os números até o fim de abril, assegurando transparência e atendendo às leis que regem o esporte brasileiro.














