Nesta terça-feira (28), o setor de revenda de combustíveis da Região Sul do Estado esteve reunido em Pelotas para uma edição do evento “Junto com o Revendedor”, promovido pelo Sindicato Intermunicipal do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes do RS (Sulpetro), que serviu como palco para discussões sobre a viabilidade econômica dos postos em um cenário de custos crescentes e fiscalização rigorosa.
O encontro ocorreu para avaliar o panorama atual da revenda na região, especialmente diante dos impactos recentes no mercado envolvendo a guerra entre Irã e Estados Unidos, que influenciam diretamente os preços dos combustíveis e a dinâmica do setor, além de destacar que a região de Pelotas concentra um dos maiores números de revendedores do sul do Estado
O Equilíbrio entre Margens e Fiscalização
Um dos temas centrais da pauta foi o cerco montado por órgãos de defesa do consumidor e agências reguladoras. Nas últimas semanas, o setor tem sido alvo de investigações da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor ) e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) devido a variações de preços, o que gera uma pressão adicional sobre os postos. Fabrício Braz, presidente da Sulpetro, destacou que o revendedor é o “rosto” de uma cadeia complexa e, muitas vezes, acaba sendo injustamente responsabilizado por altas que ocorrem em elos anteriores. “O revendedor convive com uma vigilância extrema. Nosso papel aqui em Pelotas é garantir que o empresário tenha segurança jurídica e ferramentas de gestão para demonstrar que a formação do preço na bomba é reflexo de uma cadeia de custos que inclui impostos, logística e a política de preços das refinarias e distribuidoras”, afirmou Braz.
Custos Operacionais e o Impacto do Diesel
Além da questão tributária, o encontro abordou a mudança no perfil de consumo. Dados técnicos apresentados mostram que o Diesel S10 consolidou-se como a base operacional do transporte, exigindo que os postos revisem urgentemente sua alocação de tanques e logística interna. Outro ponto crítico discutido foi a restrição pontual de entregas por parte de algumas distribuidoras, o que obriga os postos a operarem com estoques reduzidos, elevando o risco financeiro em caso de novos reajustes.
Para os empresários da Zona Sul e da Campanha, o evento foi uma oportunidade de alinhar estratégias em um mercado que sofre com as particularidades do clima e da logística regional. “Estar em Pelotas é fundamental porque a Região Sul tem uma dinâmica própria. O Sulpetro precisa estar perto do associado para ouvir suas dores reais e transformar isso em ações de defesa em Porto Alegre e Brasília”, concluiu Braz.
O desafio da Nova NR-1
Outro tema importante no encontro foi a entrada em vigor da nova NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), prevista para o dia 26 de maio de 2026. Foi trazido para o evento um panorama técnico sobre a urgência do tema. O alerta é para que as empresas estejam preparadas, pois a sinalização oficial é de fiscalização imediata. A grande mudança é na atenção aos fatores psicossociais e na organização do trabalho, exigindo que os processos internos sejam definidos para evitar sobrecargas e garantir a proporcionalidade das atividades entre os colaboradores.
Segundo a análise apresentada, a norma exigirá um olhar atento dos donos de postos, especialmente os “em rede”, que não estão presentes no dia a dia, sobre o comportamento de seus gerentes e líderes. Neste caso, o treinamento das lideranças torna-se algo vital para evitar que o modo de tratamento com os funcionários se transforme em causa de doenças psicossociais.
Também foi esclarecido que, embora não seja obrigatória a contratação de psicólogos fixos, a nova gestão de riscos ocupacionais demanda uma escuta ativa das observações dos funcionários para prevenir problemas de saúde mental antes que cheguem à esfera judicial.














