São quase 30 mortes violentas nas rodovias da região. Mais dezenas dentro dos municípios. O mais recente caso assustador foi o da jovem ciclista, que no fim de tarde de segunda-feira, foi atropelada em pleno Centro de Pelotas. A média tem sido praticamente de uma morte a cada dois dias neste ano, em toda a Zona Sul. Números superiores aos anos anteriores e que acendem um alerta: afinal, onde está o problema? É infraestrutura? É legislação branda? É comportamento? É o combo? No fim, o que importa é que precisamos de um diagnóstico cristalino para frear essa tragédia coletiva.
O comportamento é sempre o tema que mais salta aos olhos, diante dos excessos de imprudência. Basta parar por mais de dois minutos em qualquer cruzamento de maior fluxo para ver alguma barbeiragem ou desrespeito, seja à sinalização, ao ciclista ou ao pedestre. Pisca para trocar de faixa? Bobagem! Sinal amarelo? Hora de acelerar! Preferencial? É sempre minha. A própria noção de que se é especial no trânsito vem causando isso. Todos exigimos regras para os outros, mas queremos regalias. Seja honesto: quem nunca parou em local proibido porque era só dois minutinhos para ir ali e estava com pressa?
O trânsito é um espaço de convivência que desafia todas as noções de civilidade e, por isso também, é necessário exigir mais e mais das autoridades. É preciso estar em constante análise e reflexão para aprimorar a fluidez e diminuir as chances de “dar treta”. Há pontos críticos que são vistos por toda a população como problemas, e boa parte deles são facilmente resolvidos com uma rótula ou melhor sinalização. Quem não lembra da polêmica que deu com as mudanças da rótula do Carrefour? Pois bem, o problema ali foi basicamente resolvido, fora um ou outro incidente.
O problema é coletivo e a solução também precisa ser. Hoje, estamos vivendo sob o constante medo de matar ou morrer quando saímos à rua, justamente por toda a insegurança que o trânsito tem nos trazido. Se todo mundo seguir as regras, os acidentes acabam. Assim, o comportamento tem que mudar. Mas se as regras não são seguidas, elas devem ser mais rígidas. Se nada disso funcionar, busquemos mais soluções.














