Em uma reunião técnica-científica a prefeitura de São Lourenço do Sul apresentou à comunidade um prognóstico do impacto do El Niño em formação e quais ações preventivas estão sendo realizadas para mitigar os efeitos deste evento climático, que deverá atingir a região no segundo semestre deste ano. Além disso, foi apresentado um levantamento do Serviço Geológico do Brasil, que identificou áreas vulneráveis a inundações no município.
O estudo atualiza o mapeamento realizado em 2012 e foi desenvolvido após os eventos climáticos extremos que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Ele também reforça a necessidade de investimentos em prevenção e monitoramento no município.
De acordo com o relatório, todas as áreas classificadas como de risco em São Lourenço do Sul estão associadas a processos hídricos. Os pontos mais críticos ficam às margens do Rio São Lourenço, da Lagoa dos Patos e do Arroio Carahá, onde foram registrados episódios de inundação e alagamentos.
“É um município que foi sendo ocupado com as pessoas aterrando banhados de maneira desordenada, e que está de frente para a Lagoa dos Patos, cortado pelo Arroio São Lourenço e pelo Carahá. Essa ocupação desordenada ocasiona essa condição local de termos quase 80% da nossa zona urbana em zona de risco”, destaca o prefeito de São Lourenço do Sul Zelmute Marten (PT).
Por conta disso, os impactos das cheias reacenderam a preocupação com a ocupação de áreas vulneráveis. Segundo o estudo, o município sofre influência direta do aumento do nível das águas da Lagoa dos Patos e também enfrenta problemas ligados ao transbordamento de arroios, canais e sistemas de drenagem.
Medidas sugeridas
Entre as AÇÕES apontadas pelo Serviço Geológico do Brasil estão o desassoreamento do Rio São Lourenço e do Arroio Carahá, a recuperação da vegetação nas margens dos cursos d’água, a criação de sistemas de alerta para a população e o fortalecimento da Defesa Civil Municipal.
O estudo também recomenda fiscalização para impedir novas construções em áreas sujeitas a alagamentos e ações de educação ambiental voltadas à população.
Além das áreas classificadas como de alto risco, o levantamento identificou regiões de risco moderado que precisam ser monitoradas para evitar o agravamento das condições urbanas.
Segundo os técnicos responsáveis, o mapeamento deve servir como base para políticas públicas de prevenção, planejamento urbano e resposta rápida em situações de emergência.
Investimentos
São Lourenço do Sul recebeu R$ 1,2 milhões via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), do governo estadual, para a elaboração do seu Plano Municipal de Drenagem. De acordo com o prefeito, ele será elaborado de maneira a localizar cada bairro em área de risco para, a partir do uso de instrumentos modernos como drones e serviços digitais, traçar o caminho percorrido pelas águas no município, durante os eventos extremos.
Estes estudos irão subsidiar as decisões em relação ao investimento do Pacto Macrodrenagem de São Lourenço do Sul, considerado o maior do segmento no município, com o repasse de R$ 37 milhões do Orçamento Geral da União, para a construção de galerias, novas redes de drenagem e contenção de margens.
Sobre a Zona Sul ter ficado de fora do mais recente investimento de R$ 5,4 bilhões enviados pelo governo federal para a contenção de cheias do Rio Grande do Sul, o prefeito Zelmute afirma que a região não ficou de fora dos investimentos, apesar deles contemplarem apenas as bacias da região metropolitana.
A região Sul do Estado recebeu recursos para obras de prevenção às cheias apenas pelo Funrigs, vinculado ao governo gaúcho, que contemplaram as cidades de Pelotas,Rio Grande e São Lourenço do Sul. Sobre a não inclusão dos últimos repasses feitos pelo governo federal, o prefeito afirma que encaminhou uma carta pedindo esclarecimentos à Casa Civil. O mesmo foi argumentado pelo prefeito de Pelotas, Fernando Marroni (PT).












