O projeto desenvolvido pela Companhia de Dança Kimbra no Centro de Esportes Unificado (CEU) das Artes – Ação Cidadania e Cultura, na Lagoa dos Patos, em Rio Grande, foi reconhecido como uma das melhores iniciativas do Brasil na Premiação de Boas Práticas nos CEUs das Artes, realizada por edital do Ministério da Cultura. Entre os dias 14 e 15 de maio, o idealizador do grupo, coreógrafo e bailarino Juciano Ferreira, participará da etapa final do certame, em Brasília.
O prêmio total é de R$350 mil, distribuído entre quatro categorias, com cinco iniciativas contempladas em cada uma. A premiação busca valorizar ações que fortalecem a cultura local, ampliam o acesso e promovem transformação social nas comunidades.
Sem fins lucrativos, a Companhia Kimbra foi criada há dez anos por Juciano Ferreira e atua no CEU das Artes Lagoa dos Patos como espaço de formação em dança. O projeto atende pessoas de diferentes faixas etárias, desde crianças a partir de cinco anos até grupos da maturidade, promovendo disciplina, formação artística e oportunidades de expressão.
Apoio técnico e fortalecimento institucional
A inscrição do projeto no edital contou com o apoio técnico da assessora de projetos da Secretaria de Cultura, Bilina Amaral, servidora municipal e doutoranda em Educação Ambiental pela Furg, que atua no CEU das Artes. Segundo Bilina, a sistematização das atividades desenvolvidas ao longo da última década foi decisiva para a qualificação da iniciativa. “Auxiliei na organização e na escrita da trajetória do projeto, realizando o cadastro e a inscrição no edital de boas práticas”, explica.
Bilina destaca que o CEU abriga diferentes iniciativas culturais relevantes, mas, diante dos critérios do edital, a Companhia Kimbra apresentou maior aderência técnica.
A assessora também ressalta a importância de oferecer suporte a agentes culturais, especialmente aqueles ligados à cultura popular e periférica. “Muitos realizadores acabam desempenhando um papel que seria do Estado, mas não têm acesso ou orientação para captar recursos. Nosso trabalho é justamente oferecer suporte técnico e jurídico, contribuindo para que esses projetos se organizem, se fortaleçam e ampliem seu alcance”, afirma.
Marco na trajetória
Para Juciano Ferreira, o reconhecimento representa um marco em sua trajetória. “São dez anos de trabalho voluntário à frente da companhia. Esse reconhecimento nacional tem um significado muito importante na minha vida”, destaca.
O coreógrafo acredita que o diferencial do projeto está no impacto social. “A Kimbra transforma vidas. É um grupo que se apresenta com ou sem cachê, em diferentes comunidades e bairros, e que acolhe pessoas de todos os perfis, especialmente minorias, como a população LGBTQIA+. Esse acolhimento foi fundamental para o reconhecimento”, avalia.
Atualmente, a companhia conta com cerca de 80 bailarinos e mantém atividades regulares ao longo da semana. Além disso, prepara novos desafios: participa de seletivas para o Festival de Dança de Joinville e já foi aprovada para competir em um festival em Florianópolis, considerado um dos principais do país “Fundei essa companhia e me motivou muito. Me motivou porque eu consegui, a partir daí, ter um reconhecimento, além do nacional, reconhecimento para a minha vida. Então, isso não tem o que explicar”, fala o coreógrafo.
Fortalecimento interno
O trabalho de uma década também mostra seus frutos, além dos concursos. A equipe, por exemplo, tem se fortalecido internamente, mostrando que tem qualidade para abrir novas frentes de trabalho.
Por exemplo, bailarinos formados dentro da própria companhia hoje atuam como instrutores, ministrando aulas de diferentes estilos, como danças urbanas, jazz funk e estilo livre, ampliando o alcance pedagógico do projeto. “São bailarinos que eu desenvolvi e que hoje dão aula de danças urbanas, de estilo livre, de jazz funk, coisas que não domino muito.Trabalho com jazz contemporâneo e danças populares. E os bailarinos que estão comigo há muito tempo dão aulas de outros ritmos”, orgulha-se o coreógrafo.












