Multicampeã em campeonatos nacionais e internacionais de robótica, a FBot, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), prepara-se para encarar mais um desafio: a RoboCup 2026, que acontece entre os dias 30 de junho e 6 de julho em Incheon, na Coreia do Sul. Para viabilizar a viagem dos representantes da equipe ao mundial de robótica, a Fbot precisa de auxílio para custear as despesas.
No total, a despesa com inscrições, transporte, hospedagem e alimentação é estimada em R$ 90 mil. A equipe conta com parceiros e tem o apoio da universidade, mas a parte financeira ainda é o principal obstáculo neste período de preparação. “O custo para levar oito membros para a Coreia do Sul é altíssimo. Recentemente, levamos nossos robôs ao South Summit para buscar conexões e novos patrocinadores que nos ajudem a viabilizar a viagem”, afirma Marina Rocha, líder da FBot.
A equipe busca novas empresas que queiram investir no projeto através de cotas de patrocínio e também organizou uma vakinha online para que a comunidade em geral também possa ajudar. Além das doações pela plataforma de arrecadação, também são aceitas doações através da chave pix [email protected], em nome da líder.
O mundial de robótica deverá reunir cerca de três mil competidores, entre pesquisadores, estudantes e profissionais de dezenas de países, além de atrair um público de aproximadamente 15 mil visitantes interessados em tecnologia.
Competição
A FBot participará da RoboCup 2026 em duas categorias: na @Home (robôs domésticos) e na nova Smart Manufacturing League (SML), que é a evolução da categoria industrial, com a Fbot@Industrial.
As provas simulam situações reais. Na @Home, o robô opera em uma arena que imita uma casa e deve realizar tarefas como recepcionar convidados, servir pedidos em um “restaurante” não mapeado e ajudar a carregar malas ou limpar mesas. Na Industrial, os robôs realizam tarefas de logística, como transporte de peças, navegação em ambiente fabril e encaixe de precisão em mesas especiais, tudo de forma autônoma a partir de um arquivo de instruções recebido pouco antes da prova.
“O maior desafio geral é o imprevisto; na competição, peças quebram e sistemas falham, exigindo rapidez e controle emocional da liderança”, destaca Marina.
Diferencial da Fbot
A última participação mundial da FBot foi em Salvador, onde alcançaram o 7º lugar na categoria doméstica (@Home) e o 5º lugar na categoria industrial (@Work).
A equipe é formada por estudantes da graduação e pós graduação da Furg, 100% voluntários. “Quem está lá é por amor à robótica. Nossos robôs são fabricados por nós mesmos, desde a base até os sistemas, o que nos dá um conhecimento profundo de cada componente, diferente de equipes que compram robôs comerciais prontos”, destaca Marina.
O desempenho consistente em competições nacionais e internacionais rendeu à equipe reconhecimento do Ministério da Educação (MEC). As conquistas e o destaque mundial da FBot também levaram à criação do curso de Engenharia de Robôs na Furg, o primeiro entre as universidades federais do país.
Experiência e Expectativas
O projeto desenvolve habilidades que integram diversos cursos como a Engenharia de Automação, Computação, Mecânica e afins. Essa integração favorece o ambiente formativo dos jovens e promove experiências únicas, através da participação nas competições.
Formada em Engenharia de Automação e mestranda em Engenharia da Computação com ênfase em robótica, e integrante desde 2022, Marina destaca que a FBot oportunizou que ela aprendesse muito além do que veria em sala de aula, tornando-se essencial para sua formação acadêmica. “A cultura FBot é bem diferente de outros times que encontramos, é todo mundo muito motivado, se surge algum imprevisto todo mundo se empenha para resolver, todos se apoiam, é uma sensação muito boa fazer parte de um grupo assim”, diz.
O co-líder da FBot, Richard de Assis, afirma que, além de seguirem se destacando nas competições, com o empenho e melhora técnica, o objetivo é ainda maior. “A gente também tem a tarefa de desenvolver e de formar membros da equipe, estudantes, engenheiros e outras formações que sejam capacitados para trabalhar na área de robótica aqui no Brasil, que está em constante crescimento. Estamos aqui na Furg, uma das referências dessa área no Brasil”, reforça.













