Com proposta de ampliar o acesso e fortalecer a cena artística regional, o Clube de Cultura Zona Sul inicia suas atividades em Pelotas com o lançamento do projeto Sexta Básica, na sexta-feira, a partir das 19h. Instalado na sede da Tamborada, no Laranjal, o espaço nasce com a ideia de diversificar linguagens. Ingressos a R$20,00, pelo whats (53)99972-7471.
O nome do projeto faz referência direta a um período recente de crise. Durante a pandemia de 2020 e, mais tarde, nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, trabalhadores da cultura dependeram da distribuição de cestas básicas. Agora, a proposta inverte a lógica: oferecer, em vez de assistência emergencial, uma base contínua de trabalho, com agenda e visibilidade.
A arte de Zé Darci
A programação de estreia reflete essa diversidade. O público poderá conferir a exposição do artista Zé Darci, de Arroio Grande, com cerca de dez telas selecionadas também para comercialização; assistir a fragmentos do espetáculo Tambores do Sul, de Kako Xavier; e acompanhar o pré-lançamento do clipe Pescadô, gravado nas ilhas dos Marinheiros e da Torotama, com participação de integrantes da Tamborada e produção audiovisual da equipe de Rio Grande.
A escolha de Zé Darci como primeiro convidado não foi aleatória. Segundo Kako Xavier, idealizador do espaço, há uma intenção clara de dar visibilidade a artistas de outras cidades da região. “A gente está buscando trazer trabalhadores da arte de fora de Pelotas, ampliando esse circuito. O Zé Darci representa Arroio Grande nesse primeiro encontro”, explica. A exposição permanece em cartaz até o próximo evento, previsto para 15 de maio.
O músico também destaca que o Clube de Cultura marca uma mudança importante em relação à própria história do espaço. Até então, a Casa do Tambor funcionava prioritariamente como sede da Tamborada, com atividades centradas na cultura dos tambores e projetos autorais. “Agora a ideia é abrir para outras linguagens — dança, teatro, literatura — e permitir que outros artistas e produtores ocupem o espaço com seus projetos”, afirma.
Essa ampliação inclui planos de retomada de iniciativas como o Salve Arte Festival, criado durante a pandemia, além da implementação de novos formatos, como saraus literários e atividades formativas. Já em maio, o espaço começa a receber ações ligadas à capoeira, voltadas à comunidade do Laranjal.
Agenda
A agenda do Sexta Básica terá continuidade nos próximos meses. Em maio, está prevista a apresentação da Família Fulni-ô, comunidade indígena de Pernambuco, e, em junho, o lançamento do pocket show Samba Bom, do artista Zé do Samba.
Mais do que um evento pontual, o projeto se estrutura como uma plataforma permanente de circulação cultural, especialmente pela aposta na articulação regional como estratégia de fortalecimento e de convergência para a produção artística do sul do Estado. “Eu acho que a diferença principal, se tratando de casa do Tambor, o Clube amplia a participação e a presença de outros artistas”, fala Kako Xavier.










