A entrega da quarta etapa do projeto de restauro e revitalização do Castelo de Pedras Altas foi marcada por uma cerimônia, na tarde de sexta-feira (10), reunindo autoridades, patrocinadores, equipe técnica e comunidade local no município de Pedras Altas. Nesta etapa, as intervenções contemplaram a recuperação completa do andar superior, incluindo quartos e terraço, além de melhorias estruturais como tratamento de infiltrações, pintura interna, intervenções em chaminés e a construção de sistemas de drenagem e ventilação.
Construído em 1913 por Joaquim Francisco de Assis Brasil, o castelo é um dos mais relevantes patrimônios históricos e culturais do Rio Grande do Sul. Com 44 cômodos, biblioteca de cerca de 15 mil volumes e mobiliário trazido da Europa e das Américas, o espaço também foi cenário de acontecimentos marcantes, como o Pacto de Pedras Altas, que encerrou a Revolução de 1923.
Segundo o empresário e proprietário do castelo, Luiz Carlos Segat, os ambientes restaurados passam agora a integrar o circuito de visitação guiada. A apresentação das novidades à comunidade contou com atrações artísticas e o descerramento de uma placa simbólica que oficializa a conclusão de mais uma fase das obras.
Cômodos dos filhos
“Os visitantes poderão acessar o terraço e os quartos da família, conhecer móveis antigos e entender como era o cotidiano da época. É uma forma de aproximar o público da história do castelo”, afirma Segat. Os espaços, antes restritos, revelam aspectos da vida familiar de Assis Brasil, que teve uma numerosa família. Estes quartos superiores, que agora podem ser apreciados pelo público, eram exclusivamente dos filhos do político.
“O Assis Brasil teve 12 filhos da quarta, com a primeira esposa e mais oito, com a segunda, era uma família muito grande, por isso o Castelo tem 44 cômodos, 12 quartos, 14 lareiras e 77 janelas. Aí a gente começa a entender o porquê”, relembra. Além da recuperação física, o projeto também investiu em ações educativas, com atividades culturais e visitas guiadas gratuitas para estudantes e comunidade. A iniciativa é financiada pelo Pró-Cultura RS, com investimento superior a R$ 2 milhões, além de recursos municipais.
Novo marco
De acordo com Segat, o avanço das obras representa um marco para a preservação do patrimônio. “É um momento de muita alegria porque quando os meus filhos compraram esse Castelo ele estava há sete anos praticamente fechado, com muita infiltração de água, estava bem bastante deteriorado. E agora a gente vê limpinho, pintado com os móveis no lugar é um momento de muita alegria”, destaca.
Próximas fases
As próximas etapas devem focar na restauração do subsolo e, posteriormente, do pavimento onde está localizada a biblioteca. A expectativa é que, com mais duas fases, a recuperação estrutural do castelo seja concluída.“A gente vê as obras acontecendo. Esse é um trabalho feito com muitas mãos. Tem toda a equipe técnica, tem a família, têm as empresas contratadas. É um trabalho, como a gente costuma dizer, feito por muitas mãos. Em dois anos e pouco estamos entregando a quarta etapa. É uma demonstração de que quando todas as partes cooperam e trabalham junto as coisas andam”, fala Segat. A longo prazo, o projeto prevê a implantação de um Museu do Território, consolidando o castelo como um polo cultural e turístico no sul do Estado.













