O zagueiro Heverton Cardoso se despede dos gramados neste domingo (12), encerrando uma trajetória construída com forte ligação ao futebol pelotense e marcada por passagens pela dupla Bra-Pel. Aos 38 anos, o defensor escolheu transformar o momento em celebração, reunindo amigos, ex-companheiros e torcedores em um jogo festivo que simboliza o fechamento de um ciclo importante.
Natural de São Paulo, Heverton chegou ao Rio Grande do Sul ainda jovem e encontrou no futebol gaúcho o espaço ideal para consolidar sua carreira. Começou a carreira no Grêmio, e foi em Pelotas que viveu alguns dos momentos mais marcantes, vestindo tanto a camisa do Xavante quanto a do Lobo — algo incomum e que lhe rendeu reconhecimento dos dois lados da rivalidade.
O próprio jogador destacou o significado dessa relação com a dupla Bra-Pel ao longo da carreira. “Esse carinho e esse respeito das duas torcidas é algo raro no futebol. Eu tive boas passagens, vivi momentos importantes nos dois clubes, e fico muito feliz de ser reconhecido por ambos”, afirma.
Heverton também considera que a postura fora de campo foi determinante para construir essa identificação. “Dentro de campo, a gente sabe que nem sempre consegue agradar todo mundo, mas eu sempre procurei agir com respeito. Acho que isso fez a diferença para que hoje eu tenha esse retorno tão positivo tanto do torcedor do Brasil quanto do Pelotas”, completa.
A despedida, no entanto, não é vista por ele como um fim melancólico. Em tom reflexivo, o zagueiro explica que encara o momento como uma transição para uma nova fase de vida. “Muita gente fala que é como uma primeira morte no futebol, mas eu penso diferente. Eu acho que estou começando a viver agora, com mais leveza, podendo aproveitar coisas que antes a rotina do futebol não permitia”.
O evento de despedida será realizado em formato de confraternização, com a presença de amigos e pessoas que fizeram parte da sua trajetória. “Vai ser um ambiente família, uma resenha, para celebrar tudo que o futebol me proporcionou”, destaca.
Mesmo deixando os gramados, Heverton não pretende se afastar do esporte. Formando-se em Educação Física, ele já iniciou a carreira como professor e projeta seguir contribuindo com o desenvolvimento de jovens atletas. “O futebol me deu tudo, agora quero retribuir, principalmente trabalhando com a gurizada”.
Em 2025, ele atuou na comissão técnica de Alessandro Telles, no Pelotas, durante a Copa FGF.













