A passagem do programa Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por Pelotas colocou em evidência o potencial da região para captar recursos e transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. O encontro, realizado nesta sexta-feira (10), no Pelotas Parque Tecnológico, apresentou novas linhas de fomento que somam cerca de R$ 3,3 bilhões, com foco em inovação industrial e desenvolvimento tecnológico.
A iniciativa integra o programa Nova Indústria Brasil e busca ampliar o acesso a investimentos públicos, principalmente para projetos que envolvam inovação aplicada, parceria entre empresas e instituições de ciência e tecnologia (ICTs) e desenvolvimento de soluções nacionais.
Segundo o analista da Finep, Marco Bruno Manzolillo, o objetivo vai além do financiamento direto, trata-se de soberania tecnológica. “Não é dar dinheiro para uma empresa, é incentivar quem queira investir em tecnologia. Desenvolver uma linguagem de inteligência artificial nacional ou um robô nacional, por exemplo”, afirma, durante sua palestra. Ele destacou ainda o risco da dependência externa. “Depender de tecnologia estrangeira é cômodo, mas é perigoso, porque nossos dados estão por aí”, completa.
Incorporar tecnologia na indústria
O programa apresentado pela Finep oferece consultorias, capacitação e apoio à transformação digital para micro, pequenas e médias empresas industriais. Entre os focos estão a otimização de processos, aumento de produtividade e eficiência energética.
Na prática, isso significa apoio direto às empresas para reduzir desperdícios, melhorar gestão e incorporar tecnologia, com impactos como aumento de produtividade, redução de custos e menor emissão de carbono.
Os recursos incluem modalidades não reembolsáveis, ou seja, não precisam ser devolvidos, o que amplia o interesse de empresas e instituições. As linhas contemplam áreas estratégicas como saúde, agroindústria, transição energética, tecnologia digital e semicondutores.
Pelotas com base sólida
O Secretário de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação de Pelotas, Jeferson Sigales, ressaltou que Pelotas tem condições reais de disputar esses investimentos. Segundo ele, o município conta com uma base consolidada de Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), como universidades, institutos federais e centros de pesquisa. “Pelotas tem um potencial muito grande e deve participar dessas captações. Cabe à nossa região organizar essas instituições para disputar esses recursos”, afirma.
Ele também destacou que os editais estimulam a integração entre pesquisa e setor produtivo. “A maioria desses projetos exige uma relação entre ICTs e iniciativa privada. É um desenvolvimento encadeado, que liga ciência, tecnologia e produção”, explicou.
Vocação científica
O diretor técnico-científico do Pelotas Parque Tecnológico, Edgar Mattarredona, destacou que a cidade já tem histórico na captação desses recursos, mas que a concorrência é nacional e exige qualificação. “São editais para o país todo. É preciso ter bons projetos, equipe preparada e infraestrutura adequada para competir”, afirma.
Ele também reforçou que o foco não é apenas pesquisa acadêmica. “Não é para ficar só dentro do laboratório. A ideia é impulsionar soluções que cheguem à sociedade, envolvendo diretamente empresas”, disse.
Parque Tecnológico terá novo hub
Como exemplo prático, Mattarredona citou a recente captação de R$ 20 milhões para a criação de um hub de inovação em saúde e biotecnologia, que está em implantação pelo Pelotas Parque Tecnológico. O projeto inclui laboratórios avançados, como um centro de medicina genômica, com potencial de agilizar diagnósticos e ampliar o acesso a tecnologias de ponta na região.











