Com a confirmação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que caracteriza a formação do fenômeno climático El Niño, cientistas e membros do poder público intensificam o monitoramento dos possíveis efeitos, principalmente no Rio Grande do Sul. A expectativa é que o maior acumulado de chuva aconteça durante a primavera, mas os meteorologistas alertam que, somente este fator isolado, não garante a ocorrência de eventos climáticos extremos.
Dentro deste contexto, a prefeitura de Pelotas convocou a população para a apresentação do balanço de ações de prevenção às cheias já realizados, além do prognóstico da atuação do El Niño na região por meteorologistas do Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet) da UFPel e do Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (Ciex) da Furg.
O secretário de Defesa Civil de Pelotas, Milton Martins, falou sobre o compromisso do poder público com a prevenção e a adaptação da cidade às mudanças climáticas, ao transformar a cidade de Pelotas em uma cidade resiliente. “Não há nenhuma cidade no mundo 100% preparada para este enfrentamento. Nós não podemos controlar as tempestades e os tempos severos, mas podemos amarrar as velas do nosso barco”, destaca.
A parceria técnica estabelecida, antes mesmo dos eventos climáticos extremos de 2023 e 2024, entre os cientistas e o poder público, foi destacada pelo diretor da Faculdade de Meteorologia da UFPel, Marcelo Alonso Félix. Segundo ele, com a experiência dos 28 dias na Sala de Situação durante o período de enchentes, houve uma aproximação ainda maior e, hoje há projetos conjuntos de meteorologia em diversas frentes.
El Niño
Félix reforçou que, uma das pretensões do encontro com a comunidade é tentar desassociar o El Niño do desastre de 2024, uma vez que outros fatores corroboraram para o contexto climático da época. “Teve o aquecimento do Atlântico e diversos outros fatores, como solo saturado para além do fenômeno. Nós já tivemos no nosso histórico El Niños fortes, que não necessariamente trouxeram grandes desastres”, diz.
Pelotas 4M
No ano passado, o município instituiu o programa Pelotas 4M, em referência à cota de quatro metros de altura dos diques de proteção do município contra as cheias. Nele estão concentradas as ações de proteção do território, a partir de uma ação sistêmica de combate às cheias.
O secretário de Urbanismo, Otávio Peres, apresentou o trabalho que está sendo desenvolvido até o momento pela pasta, com foco no trabalho integrado, em ações cotidianas e estruturais, para enfrentar as situações alertadas pelos meteorologistas. “Estamos em permanente ação para enfrentar as chuvas cotidianas e em preparação para enfrentar os grandes eventos. O executivo está dedicado a atuar nas múltiplas escalas”, afirma.
Além das obras executadas e em execução pelo Sanep, na microdrenagem da cidade, Peres também detalhou os projetos que foram apresentados ao governo gaúcho para submissão ao Funrigs, o Fundo do Plano Rio Grande de Reconstrução. Segundo o secretário, foram apresentados, em primeiro momento, 12 projetos, dos quais cinco tiveram aderência, mas ainda nenhum valor foi repassado à prefeitura de Pelotas.














