Para que o Palestino tenha sido fundado em 1916, na cidade de Osorno, antes disso, no século retrasado, milhares de imigrantes cruzaram o Oceano Atlântico e atravessaram a Cordilheira dos Andes, montados em mulas, fugindo da Guerra da Crimeia. A saída do Oriente Médio para o Chile teve uma segunda leva após a Primeira Guerra Mundial, quando a fuga foi então do Império Otomano, que obrigava o serviço militar de jovens cristãos e judeus.
Somados os dois momentos, a diáspora se converteu na maior população de palestinos longe de sua região de origem. Os últimos números apontam quase 500 mil no território chileno vivendo do outro lado do mundo para manter preservada a identidade daquele povo. Não é por outra razão que, além de preservar as cores da bandeira palestina, o verde, vermelho, branco e preto, o clube carrega a veia política, social e cultural de um país que busca ser reconhecido mundialmente.
Camisa gerou polêmica
Há quem diga que a camisa do adversário do Grêmio, nesta quarta-feira pela Sul-Americana, dentre todos os clubes chilenos, é a mais conhecida no exterior. Explica-se: em 2014, no lugar do número 1 nas costas dos uniformes foi colocado o mapa da palestina antes da criação do Estado de Israel, justamente a origem do conflito histórico entre os países. A camisa foi usada apenas três vezes depois da polêmica diplomática.
No estádio La Cisterna, de 1988 e com capacidade para 12 mil pessoas, é comum ver a bandeira da Palestina a meio mastro, faixas com mensagens de ‘Palestina Livre’ ou ver respeitado um minuto de silêncio a cada vez que se tem notícia de tragédias na Faixa de Gaza. Ou seja, o luto faz parte do cotidiano do clube.
Técnico novo
Campeão chileno em 1955, logo após passar a contratar jogadores de fora da colônia e depois em 1978, o Palestino atravessa um momento tenso dentro de campo. Atual 11º colocado no campeonato local, vai estrear um técnico recém chegado ao vestiário. Guillermo Farré, argentino de 45 anos, entrou na vaga de Cristián Muñoz, demitido no domingo após a derrota, em casa, para o Deportes Concepción.
Na Sul-Americana, o Palestino ainda não marcou gol, mas isso é o menor dos problemas para a pequena torcida que deve comparecer em número pequeno. Geralmente o público é de 2,3 mil torcedores. Há partidas transmitidas e acompanhadas por palestinos que madrugam no Oriente Médio para torcer. Se não pela equipe, por quem representa uma causa distante e presente, como diz o slogan: “Mais que um time, um povo”.
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